Inhotim 20 anos tem programação especial

O Instituto Inhotim completa Inhotim 20 anos em grande estilo: no dia (25-4), o museu inaugurou três obras inéditas em Brumadinho, Minas Gerais, dando início oficial às comemorações da data. Localizado a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, o espaço reafirma sua posição como o maior museu a céu aberto da América Latina e celebra duas décadas de arte contemporânea integrada à natureza e à educação.
As três novas criações — Contraplano, de Lais Myrrha; Dupla Cura, de Dalton Paula; e Tororama, de Davi de Jesus Nascimento — chegam como parte de um novo ciclo do instituto. Além disso, cada obra dialoga com temas centrais da identidade brasileira: arquitetura, ancestralidade afro-brasileira e memória do Rio São Francisco. Nesse contexto, os Inhotim 20 anos se afirmam não apenas como aniversário, mas como declaração cultural.
Para a diretora artística Júlia Rebouças, os novos trabalhos “reafirmam a proposta do instituto de integrar arte, natureza e educação”, convidando o público a refletir sobre território, espaço e questões contemporâneas.
Inhotim 20 anos: conheça as 3 obras inauguradas
A primeira estreia é Contraplano, instalada em um dos pontos mais altos do museu. A artista Lais Myrrha utilizou concreto armado e aço inoxidável para criar uma obra que referencia um projeto de Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Portanto, a peça provoca reflexões sobre arquitetura, paisagem, mineração e tempo a partir da observação do entorno natural — temas diretamente ligados ao território onde os Inhotim 20 anos se celebram.

Na Galeria Mata, Dupla Cura, de Dalton Paula, reúne cerca de 120 obras entre pinturas, fotografias, vídeos e instalações. A curadora Beatriz Lemos afirma que a mostra se estrutura “a partir da ideia de coletividade e espiritualidade”, conectando diferentes tempos da produção do artista. Dessa forma, a exposição aborda ancestralidade, memória e cultura afro-brasileira com profundidade e coerência.
Já na Galeria Nascente, Tororama, de Davi de Jesus Nascimento, apresenta três pinturas, um vídeo gravado nas Cavernas do Peruaçu e carrancas produzidas pelo Mestre Expedito. A instalação bebe na história do Rio São Francisco e nas vivências familiares do artista, reunindo elementos de memória, identidade e pertencimento regional.
O acervo que faz dessa data uma conquista histórica
O instituto ocupa uma área de 140 hectares e abriga cerca de 1.862 obras de mais de 280 artistas de 43 países. Além disso, o espaço mantém um Jardim Botânico com mais de 4,3 mil espécies de relevância internacional — uma combinação que poucos museus no mundo conseguiram construir.
Idealizado pelo empresário Bernardo de Mello Paz e aberto ao público em 2006, o Inhotim consolidou ao longo dessas duas décadas um modelo único de integração entre arte contemporânea e meio ambiente. Sendo assim, os Inhotim 20 anos representam não só uma data, mas a prova de que esse projeto resistiu, cresceu e se tornou referência global.

Vale destacar que o museu segue investindo na ampliação do acervo e no fortalecimento da relação entre arte, natureza e educação — pilares que definiram sua identidade desde o primeiro dia.
Por que os Inhotim 20 anos importam para a cultura brasileira
O Inhotim é um dos poucos espaços no país onde artistas brasileiros de diferentes origens ganham visibilidade em escala internacional. Por isso, celebrar os Inhotim 20 anos é também reconhecer o papel estratégico do museu na valorização da produção artística nacional — especialmente de artistas negros e periféricos, como Dalton Paula e Davi de Jesus Nascimento.
Ao mesmo tempo, o museu desafia a ideia de que arte é coisa de elite urbana. A abertura de novos pavilhões e galerias ao longo de duas décadas criou um espaço vivo, acessível e em permanente diálogo com a paisagem. Consequentemente, os Inhotim 20 anos chegam como um convite para imaginar o que a cultura brasileira pode construir nos próximos vinte.






