Lula e evangélicos concordam que ninguém devem tirar proveito político da fé

Lula e evangélicos concordam que ninguém devem tirar proveito político da fé

Lula e evangélicos têm construído uma relação marcada por diálogo e consideração mútua, e foi exatamente esse respeito que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a tomar uma decisão incomum nesta quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi: abrir mão de aparecer na Marcha para Jesus em São Paulo. Para o petista, participar do maior evento do calendário evangélico brasileiro em pleno ano eleitoral seria, paradoxalmente, uma falta de respeito com a fé dos fiéis.

A explicação veio diretamente do presidente, em uma ligação telefônica com o bispo Estevam Hernandes e o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. “Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, afirmou Lula. A declaração, publicada nas redes sociais de Messias, revelou uma postura de autocuidado ético que poucos políticos demonstram.

Assim, em vez de usar o evento como palanque — como fizeram adversários —, Lula optou por se fazer representar pelo AGU Messias, que subiu ao trio elétrico ao lado de outras autoridades. O gesto traduz uma visão coerente: a fé não é figurante de campanha.

Lula e evangélicos: uma história de reconhecimento institucional

Ao lado do advogado da União Jorge Messias, presidente Lula que sancionou a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus

Vale destacar que Lula e evangélicos compartilham uma trajetória de reconhecimento legal e simbólico. Em setembro de 2009, durante seu segundo mandato, Lula sancionou a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus — transformando o evento em patrimônio cultural do calendário oficial brasileiro. Portanto, a relação do presidente com a comunidade cristã evangélica não começa agora, nem é conveniente: ela tem raízes institucionais.

Nesse contexto, a decisão de não comparecer à edição de 2026 ganha ainda mais peso. Lula poderia facilmente ter aproveitado o momento. Em vez disso, escolheu a coerência. Dessa forma, demonstrou que compreende a diferença entre política e devoção — algo que nem sempre os demais presentes no trio elétrico souberam separar.

A sensibilidade presidencial diante da fé popular

Lula e evangélicos
© Divulgação/Marcha para Jesus.

O telefonema ao bispo Estevam Hernandes revelou uma faceta humana e sensível de Lula e evangélicos que muitas vezes fica fora das manchetes. O presidente agradeceu o acolhimento ao AGU e explicou suas razões com franqueza. Ao mesmo tempo, demonstrou que mantém canais abertos de diálogo com lideranças religiosas — o que é, por si só, um sinal de respeito à pluralidade cristã do país.

Por outro lado, enquanto adversários no trio elétrico aproveitaram o púlpito para discursos como “o mal vai ser expulso do governo desse Brasil”, Lula se manteve distante da instrumentalização religiosa. Consequentemente, quem conhece a diferença entre espiritualidade e espetáculo político percebe o contraste com clareza.

A 34ª Marcha para Jesus reuniu milhares de fiéis na cidade de São Paulo, com shows de artistas como Gabriela Rocha, Aline Barros e Isadora Pompeo. O evento é, acima de tudo, uma celebração da fé. E foi justamente por isso que Lula preferiu assisti-lo à distância — sem microfone, sem palanque, sem tirar proveito.

Lula e evangélicos 

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Lourival Santana

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