Ramagem solto nos EUA

Ramagem solto nos EUA

Alexandre Ramagem saiu da detenção americana em menos de 48 horas. O ex-deputado federal condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado deixou o centro de detenção da Flórida nesta quarta-feira (15-4) e publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo à “mais alta cúpula da administração Trump”. Com Ramagem solto nos EUA, o Brasil enfrenta uma crise diplomática silenciosa — e extremamente reveladora.

Nenhum procedimento judicial moveu essa soltura. Nenhuma fiança foi paga. Segundo o próprio Ramagem, a liberação foi puramente administrativa. Ou seja, alguém no alto escalão de Washington tomou uma decisão política e o ex-deputado saiu andando. Isso não é neutralidade — é posicionamento.

Diante disso, a pergunta que o Brasil precisa fazer não é sobre Ramagem. É sobre o que esse episódio diz a respeito das regras do jogo internacional quando a extrema direita global encontra abrigo mútuo.

Por que Ramagem estava preso nos EUA

Ramagem solto nos EUA
Orlando, Flórida – Créditos: depositphotos.com / sepavone

O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) deteve Ramagem na segunda-feira (13-4) por questões migratórias, em Orlando. No entanto, por trás da detenção havia um contexto mais amplo: o STF incluiu o nome dele na lista da Interpol, o que permitiu a abordagem por autoridades estrangeiras.

Ramagem fugiu do Brasil em 2025 de forma clandestina, antes mesmo do fim do julgamento que o condenou. Segundo investigações da Polícia Federal, ele cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana e seguiu para os Estados Unidos. Lá, entrou com pedido de asilo político — um instituto criado para proteger perseguidos por regimes autoritários, não réus condenados por tribunais democráticos.

Vale destacar que o Ministério da Justiça encaminhou pedido formal de extradição ao governo americano em dezembro de 2025. A embaixada brasileira em Washington entregou a documentação ao Departamento de Estado em 30 de dezembro. Até agora, nenhuma resposta concreta.

Trump ajudou Ramagem?

Ramagem solto nos EUA afirmou em vídeo: “Eu entrei nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma.” No entanto, o contexto desmente a narrativa de regularidade tranquila. Seu mandato de deputado federal havia sido cassado pela Câmara em dezembro de 2024. O passaporte diplomático foi cancelado. Os vencimentos parlamentares foram bloqueados por determinação do STF.

Portanto, o que Ramagem apresenta como normalidade é, na prática, a trajetória de um foragido que encontrou terreno fértil em um governo ideologicamente simpático à sua causa. A administração Trump tem demonstrado afinidade com movimentos de extrema direita que desafiam instituições democráticas — e a soltura administrativa, com agradecimentos públicos ao alto escalão, não deixa margem para outra leitura.

Além disso, o precedente é perigoso. Se um condenado por tentativa de golpe consegue sair de uma detenção americana em menos de dois dias, com um telefonema nos corredores certos, o recado para outros fugitivos da Justiça brasileira é nítido: basta chegar ao país certo com o discurso certo.

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O que o Brasil pode — e deve — fazer agora

A resposta do Estado brasileiro precisa ir além do protocolo diplomático. O pedido de extradição não pode ser tratado como formalidade esquecida em uma gaveta do Departamento de Estado. Nesse sentido, o governo Lula precisa pressionar pelos canais adequados, mobilizar aliados internacionais e deixar claro que a condenação de Ramagem é uma decisão judicial soberana — não uma opinião política.

Trump ajudou Ramagem?
Ramagem em vídeo postado nas suas redes sociais — Foto: Reprodução

Por outro lado, há quem defenda que o processo de asilo concede a Ramagem uma permanência temporária legítima e que os Estados Unidos têm soberania para decidir suas próprias políticas migratórias. Esse argumento, ainda que tecnicamente defensável, ignora que acolher foragidos condenados por golpismo em democracias parceiras não é neutralidade — é cumplicidade disfarçada de burocracia.

A democracia brasileira sobreviveu ao 8 de janeiro. Sobreviveu à trama que Ramagem ajudou a articular. No entanto, a impunidade não desaparece quando ganha endereço fixo no exterior — ela se reorganiza, ganha narrativa e volta com mais força. Sendo assim, o Brasil tem a obrigação de não deixar que Ramagem solto nos EUA se torne o novo normal para quem tenta destruir a ordem democrática e foge antes de pagar a conta.

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Lourival Santana

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