Betim cresce, mas para quem?

Betim cresce, mas para quem?

Betim cresce e ostenta um número que poucas cidades brasileiras conseguem alcançar: um PIB de R$ 33,1 bilhões, com PIB per capita de R$ 73,6 mil — valor superior à média do estado, da grande região e da pequena região de Belo Horizonte. Caravela Em 2025, a prefeitura estima receber mais de R$ 1,13 bilhão em repasses de ICMS, sustentada pelo maior Valor Adicionado Fiscal dentre todas as cidades mineiras. Betim São números que impressionam qualquer economista — e que, por isso mesmo, tornam ainda mais urgente uma pergunta incômoda: onde está esse dinheiro quando se atravessa a cidade de leste a oeste?

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Betim não é pobre. Betim é desigual. E essa distinção importa mais do que parece.

O paradoxo da metrópole industrial

A estrutura produtiva de Betim concentra 53% do valor adicionado na indústria, com destaque para funções como alimentador de linha de produção, motorista de caminhão e montador de veículos. A remuneração média dos trabalhadores formais é de R$ 3,4 mil — acima da média estadual, mas longe de refletir a riqueza gerada pela cidade. Caravela Em outras palavras, Betim produz muito, mas distribui pouco.

Além disso, a concentração de renda entre as classes econômicas em Betim pode ser considerada alta e é relativamente superior à média estadual. Caravela O trabalhador que monta o carro na linha de produção raramente mora no bairro onde o gerente da fábrica janta. Essa geografia da desigualdade não é acidente — é resultado de décadas de desenvolvimento econômico pensado de cima para baixo, sem planejamento urbano que acompanhasse o ritmo do crescimento industrial.

Nesse sentido, o crescimento do emprego formal em 2024 — saldo positivo de 8.233 novos trabalhadores, o segundo melhor desempenho absoluto de Minas Gerais Caravela — é uma boa notícia que não pode ser comemorada sem cautela. Gerar empregos é necessário. Mas empregos sem habitação digna, transporte público eficiente e educação de qualidade são meios-termos que não chegam a ser solução.

O que os números não contam

Há uma armadilha sedutora nos dados econômicos de Betim: eles medem o que entra, não o que fica. O VAF recorde — que garante o maior repasse de ICMS do estado — é gerado, em grande parte, por indústrias cujos lucros não circulam na cidade. Por outro lado, os trabalhadores que sustentam essa cadeia produtiva dependem de serviços públicos que o poder municipal nem sempre consegue entregar na velocidade que a expansão econômica exige.

Betim cresce pelo peso das grandes indústrias tradicionais, enquanto outras cidades se expandem pela inovação e diversificação produtiva. Heronguimaraes esse modelo — que funciona enquanto as montadoras e petroquímicas mantêm seu ritmo — é também um modelo frágil. A dependência de poucos setores de alta escala deixa a cidade vulnerável a flutuações globais, como já demonstrou a crise da indústria automotiva em anos anteriores.

Diante disso, o contraponto mais comum entre gestores e analistas conservadores é o seguinte: “Betim investe, gera emprego, é eficiente fiscalmente.” E é verdade — parcialmente. Mas eficiência fiscal sem redistribuição é apenas acumulação bem administrada. O desafio não é crescer: Betim já sabe fazer isso. O desafio é garantir que o crescimento chegue aos bairros periféricos, às mães solo que dependem de UPA lotada, aos jovens que não têm escola técnica perto de casa.

Desenvolvimento é para todos ou não é desenvolvimento

A própria Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Betim reconhece a necessidade de integrar ações com outras secretarias para garantir desenvolvimento econômico com inclusão social, e de desenvolver políticas de qualificação profissional conectadas às necessidades reais do mercado betinense. Betim cresce   e  o

diagnóstico está feito. O que falta é traduzir esse reconhecimento em prioridades orçamentárias reais — não apenas em intenções bem redigidas em documentos institucionais.

Como distribuir renda na Betim cresce

Um desenvolvimento que não distribui não sustenta. Cidade que cresce concentrando renda acumula passivo social: mais pressão sobre saúde pública, mais violência nas periferias, mais evasão escolar, mais jovens sem perspectiva. O custo de não investir agora em políticas redistributivas será pago mais caro amanhã — não apenas em reais, mas em vidas.

Betim tem uma oportunidade rara: recursos, estrutura produtiva e localização estratégica. Tem também, neste momento, a responsabilidade de decidir que tipo de cidade quer ser nos próximos vinte anos. Uma cidade que cresceu — ou uma cidade que se desenvolveu de verdade, para todos os seus 431 mil habitantes?

Porque crescimento sem justiça social não é progresso. É adiamento de crise.

Betim cresce

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Lourival Santana

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