Flávio Bolsonaro envolvido com o Banco Master: crise abala candidatura

A revelação de que Flávio Bolsonaro envolvido com o Banco Master mantinha laços muito mais próximos do que admitia publicamente sacudiu o campo conservador a menos de seis meses das eleições. O senador pelo PL-RJ, pré-candidato à presidência, negou repetidamente qualquer relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — até que áudios e mensagens provaram o contrário, expondo uma intimidade que ele próprio tentou esconder de aliados e da opinião pública.
O estopim foi a revelação do site The Intercept Brasil: Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, um áudio captou o senador chamando o ex-banqueiro de “irmão” — contradizendo diretamente o que havia declarado em público e em reuniões reservadas com lideranças da direita.
Dessa forma, o caso deixou de ser apenas uma questão financeira e se transformou em uma crise de credibilidade para toda a pré-campanha bolsonarista.
Flávio Bolsonaro envolvido com o Banco Master cria crise com aliados
O que mais incomoda os apoiadores do senador não é o pedido de financiamento em si, mas a omissão deliberada sobre a relação com Vorcaro. Políticos ouvidos pela Notícia aí afirmam que o clima interno é de apreensão — não só pelo que já veio à tona, mas pela expectativa de novas revelações nas próximas semanas.

Um deputado do PL afirmou reservadamente que Flávio deveria ter se antecipado quando o escândalo do Master estourou e “falado de antemão que havia firmado um trato com Vorcaro para financiar o filme, mas que agia de forma transparente ao revelar o contrato” — o que teria esvaziado as acusações. Por outro lado, a falta de alerta aos correligionários atrasou a reação da campanha e dificultou uma resposta coordenada nas redes, ampliando o desgaste eleitoral.
A mensagem que ficou entre os aliados é direta: “se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais.” Portanto, mesmo sem comprovação de ilegalidade, a quebra de confiança já produz efeitos políticos concretos e difíceis de reverter.
Candidatura mantida, mas rachada por dentro
Por enquanto, as lideranças do PL garantem que a pré-candidatura segue de pé e que não há discussão sobre substituição na chapa. A avaliação interna é de que o caso de Flávio Bolsonaro envolvido com o Banco Master provocará desgaste, mas pode perder força até outubro — sobretudo se outros políticos forem arrastados pelo escândalo, diluindo as críticas.
No entanto, entre parlamentares da base bolsonarista com menos vínculo com a cúpula, o cenário é mais pessimista. Eles temem que novas revelações forcem o PL a substituir o candidato, sob risco de migração de votos para nomes como o ex-governador Romeu Zema (Novo). Consequentemente, o espaço político à direita já começa a se movimentar.
A reação de Zema foi reveladora: antes das revelações, ele poupava Flávio e concentrava críticas no centrão e no STF. Após o escândalo, o ex-governador mineiro afirmou que a atitude do senador foi “imperdoável” e “um tapa na cara dos brasileiros de bem.”
A defesa da campanha diante do escândalo com o Banco Master
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro minimizam a situação e sustentam que não há ilegalidade no pedido de financiamento, pois não envolveu dinheiro público nem contrapartidas. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) foi direto: “Não há ilegalidade em pedir um financiamento, principalmente quando não se tem acesso à Lei Rouanet.”
Além disso, os aliados argumentam que, à época dos contatos, a toxicidade política de Vorcaro ainda não era conhecida — o Banco Master operava com aval do Banco Central. Por sua vez, a campanha atribui as revelações a um vazamento seletivo da Polícia Federal e enquadra o episódio como parte de uma “máquina de propaganda negativa do governo federal.”

Ainda assim, a narrativa defensiva enfrenta um obstáculo concreto: a imagem de “mentiroso” que se instalou perante o eleitorado — e que, segundo os próprios correligionários, será difícil desfazer nos meses que antecedem a eleição.
Ver mais
Flávio Bolsonaro envolvido com o Banco Master aí






