Vídeo IA Bolsonaro: Moraes dá 48h para explicações

O caso do vídeo IA Bolsonaro virou o centro da crise política desta semana. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a defesa do ex-presidente esclarecesse, em apenas 48 horas, se ele autorizou o uso de sua imagem e voz em uma peça publicitária gerada por inteligência artificial. Portanto, o episódio reacende o debate sobre os limites da tecnologia nas campanhas eleitorais.
A produção foi exibida durante a Convenção Nacional do Partido Liberal, no último sábado (25-7), evento que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Além disso, a peça simulava um discurso emocionado do ex-presidente em apoio ao filho, o que imediatamente gerou reação de adversários políticos.
Diante disso, o Partido dos Trabalhadores acionou tanto o STF quanto o Tribunal Superior Eleitoral, cobrando explicações sobre a origem do material. Assim, o episódio do vídeo IA Bolsonaro ganhou contornos jurídicos que vão muito além da disputa eleitoral.
Como surgiu o vídeo com IA na convenção do PL
Na gravação, o avatar de Bolsonaro afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, mas garante que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança”. Em seguida, pede que os apoiadores recebam Flávio “de braços abertos” como candidato ao Planalto.
Vale destacar que Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar humanitária, com uma série de restrições impostas por Moraes — entre elas, a proibição de divulgar manifestos político-eleitorais por qualquer meio, inclusive por terceiros. Por isso, a repercussão do vídeo IA Bolsonaro colocou em xeque o cumprimento dessas medidas cautelares.
O que diz a decisão de Moraes sobre o vídeo IA Bolsonaro
Na decisão publicada nesta terça-feira (28), o ministro foi direto ao afirmar que uma eventual autorização do ex-presidente constituiria “nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado”. Nesse contexto, a consequência prática seria a reversão imediata da prisão domiciliar para o regime fechado.
Por outro lado, Moraes também avaliou o cenário inverso: caso Bolsonaro não tenha autorizado o uso de sua imagem, a responsabilidade recairia sobre Flávio Bolsonaro e o PL, configurando a prática de deepfake — expressamente vedada pela legislação eleitoral brasileira, conforme resolução do TSE de 2024, válida para as eleições deste ano. Dessa forma, o ministro deixou claro que qualquer um dos dois caminhos traz consequências sérias.

Quais são os riscos para Bolsonaro e para Flávio
A defesa já se manifestou. Na quarta-feira (29), os advogados — entre eles o próprio Flávio Bolsonaro — informaram ao STF que o ex-presidente não autorizou a produção do vídeo IA Bolsonaro, argumentando que ele sequer teria condições de conceder essa autorização diante das restrições de comunicação impostas pela prisão domiciliar.
Ainda assim, os advogados destacaram que o uso da imagem pública de Bolsonaro pelos filhos é uma prática “notória e contínua” desde o período em que ele ocupava a Presidência. Consequentemente, cabe agora ao STF e ao TSE avaliar se houve ou não descumprimento da legislação eleitoral por parte da campanha de Flávio e do PL. Em suma, o desfecho do caso pode redefinir os limites do uso de inteligência artificial nas eleições de 2026.
Vídeo IA Bolsonaro — montagem gerada por inteligência artificial exibida na convenção do PL mostra o ex-presidente discursando em apoio à candidatura do filho Flávio Bolsonaro | Foto: Agência Brasil
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