Viaduto abandonado há 8 anos em Betim terá obras retomadas

O viaduto abandonado em Betim voltou ao centro das atenções depois que o prefeito Heron Guimarães anunciou a retomada das obras em visita às construtoras responsáveis. A estrutura que vai ligar os bairros Chácara e Jardim Brasília sobre o Riacho das Areias carrega uma história de abandono que já dura quase oito anos — e que gerou revolta entre os moradores da região.
Na (24/4), o prefeito publicou um vídeo nas redes sociais mostrando sua visita às construtoras FCK e Pádua, localizadas em São José da Lapa. A obra, quando concluída, vai conectar a Rua Inconfidentes à Rua Osvaldo Rodrigues Pereira, abrindo um caminho importante para quem circula entre os dois bairros. Além disso, o projeto traz uma solução arquitetônica inédita que reaproveita parte da estrutura existente.
Vale destacar que a situação do viaduto ganhou contornos simbólicos na cidade. Enquanto o Viaduto Jacintão, localizado a apenas 500 metros dali, ficou pronto em um ano após o início de suas obras, o outro seguiu abandonado.

O que já está pronto e o que vem por aí
De acordo com o engenheiro Marco Antônio Bonfim Costa, da Construtora Pádua, 70% das estacas, blocos e pré-moldados de concreto que serão usados no novo projeto já estão fabricados e prontos para transporte. Ou seja, a logística para retomada está em estágio avançado.
Portanto, a montagem da superestrutura do viaduto abandonado em Betim está prevista para meados de maio de 2026. A presença do procurador-geral do Município, Joab Ribeiro, ao lado do prefeito durante a visita reforça o caráter oficial do compromisso assumido pela gestão municipal. Dessa forma, a sinalização política e técnica aponta para uma retomada concreta, ao contrário de promessas anteriores que não saíram do papel.
O uso de pré-moldados é, por si só, uma escolha estratégica. Além de oferecer alta resistência estrutural, esse método garante mais agilidade na instalação — o que pode significar um prazo de conclusão mais curto do que as obras convencionais exigiriam.

O destino das antigas vigas e pilares do viaduto abandonado em Betim
Um dos pontos mais curiosos do novo projeto envolve o reaproveitamento da estrutura já existente no local. As vigas do viaduto abandonado, em vez de simplesmente descartadas, serão desmontadas e reaproveitadas em outra obra na cidade de Betim. Consequentemente, o projeto evita desperdício e gera economia para os cofres públicos.
Os pilares, por sua vez, receberão uma função totalmente nova. Eles vão se transformar em uma passarela sobre o Riacho das Areias, conectando o novo Fórum da Comarca a um futuro prédio do Ministério Público de Betim — que será erguido do outro lado da Avenida Juiz Marco Túlio Isaac. Ao longo dessa passarela, o novo viaduto com pré-moldados será instalado, integrando as duas estruturas em um conjunto funcional e moderno.
Sendo assim, o projeto deixa de ser apenas uma obra de mobilidade urbana e passa a ter também um papel institucional relevante, conectando equipamentos públicos importantes para a Comarca de Betim.

Fim de 8 anos de espera
A obra iniciou em fevereiro de 2018, durante o primeiro mandato do ex-prefeito Vittorio Medioli, e nunca chegou à conclusão. Diante disso, os moradores dos bairros Jardim Brasília e Chácara acumularam anos de frustração com o abandono da estrutura, que virou um símbolo de descaso com a infraestrutura local.
No entanto, o apelido “Primo Pobre” diz muito sobre o sentimento da comunidade. Em contrapartida ao Viaduto Jacintão — concluído rapidamente e a poucos metros dali —, a obra inacabada permaneceu como uma ferida aberta na paisagem urbana do entorno. Por isso, o anúncio do prefeito Heron foi recebido com expectativa, ainda que com ceticismo por parte de quem já viu promessas não cumpridas.
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