Fechamento da escola João Paulo causa pânico nos alunos

O fechamento da escola João Paulo voltou a dominar o debate público em Betim nesta semana. Na noite de quinta-feira (9), a Câmara Municipal recebeu uma audiência pública para discutir a possível extinção da unidade e a criação do Colégio Tiradentes no mesmo espaço.

O encontro reuniu estudantes, professores, pais de alunos e lideranças políticas e sindicais, que ocuparam o plenário para cobrar explicações. No entanto, o Governo de Minas Gerais não compareceu, apesar do convite formal enviado pela Casa.
Diante disso, a mobilização em torno do fechamento da escola João Paulo ganhou ainda mais força entre a comunidade escolar, que teme perder um espaço consolidado por outro projeto ainda sem estudos técnicos apresentados publicamente.
Governador Mateus Simões não manda representante para audiência
O vereador Alexandre Xeréu (PL), autor do requerimento que originou a audiência, foi direto ao apontar a falta de resposta do estado. Segundo ele, “fizemos o convite para todas as autoridades necessárias: Comando da Polícia, Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Educação e o governador. Alguns sequer responderam”.

Apesar de se declarar favorável à instalação de um colégio militar em Betim, Xeréu admitiu que a proposta do governador de Minas, Mateus Simões, está atabalhoada e não se comunica com a sociedade, o que remete a um projeto eleitoreiro.
Deputada critica falta de diálogo sobre o Colégio Tiradentes
A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, também participou da audiência e questionou a lógica por trás do fechamento da escola João Paulo. Para ela, “a escola está dando certo. Por que fechar algo que está dando certo, algo que atende bem a sua comunidade? Isso é uma situação inexplicável”.
Além disso, a parlamentar anunciou uma visita técnica da comissão à unidade nos próximos dias. “Vamos ouvir a escola, para que ela nos conte tudo de bom que faz e qual é o desejo da comunidade escolar”, declarou.
Vale destacar que o coordenador do Sind-UTE/Betim, Luiz Fernando, reforçou o tom crítico ao classificar a decisão do estado como unilateral. Segundo ele, tudo foi feito “sem levantamento de demanda, sem estudo técnico, sem nada, como se estivesse tirando do bolso ou da cabeça”.
Estudantes relatam insegurança com a mudança

A presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Betim (Umes-Betim), Samara Letícia, descreveu o clima entre os alunos diante do possível fechamento da escola João Paulo. De acordo com ela, existe “uma visão de muita incerteza, de não saber se eles vão poder ter a escola deles”.
TJMG mantém suspensão de escolas cívico-militares no estado
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu, nesta quinta-feira (9), manter a suspensão do programa de escolas cívico-militares no estado. Por dois votos a um, desembargadores da 19ª Câmara Cível validaram uma ordem do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) que proibiu o governo de dar continuidade ao modelo nas nove escolas que já o adotavam e também de implantá-lo em novas unidades.





