PP e UB ameaçam candidatura de Flávio Bolsonaro

PP e UB ameaçam candidatura de Flávio Bolsonaro

A candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto enfrenta um obstáculo significativo antes mesmo do início oficial da corrida eleitoral. Portanto, a federação formada por PP e União Brasil caminha para retirar o apoio ao senador nas eleições de 2026.

Alguns dirigentes das duas legendas avaliam que a relação política com o parlamentar se desgastou nas últimas semanas. Dessa forma, esse desgaste fortaleceu a defesa de uma posição de neutralidade durante a disputa presidencial, movimento que deve ser consolidado antes do início das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho.

Cabe destacar que a possível retirada de apoio representa um golpe duro para os planos eleitorais do senador, que via na federação um importante instrumento de articulação política em diferentes estados do país.

Insatisfação cresce dentro do PP

No PP, o principal foco de desconforto envolve o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira. Segundo relatos internos, ele teria se sentido abandonado por Flávio Bolsonaro após se tornar alvo de investigações ligadas ao caso do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

candidatura de Flávio Bolsonaro
Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, foi anunciada como suplente de Márcio Canella, alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne — Foto: Reprodução

No entanto, o próprio nome do senador carioca também apareceu nas apurações, depois que o Intercept Brasil divulgou um áudio em que ele pede a Vorcaro R$ 134 milhões destinados ao financiamento de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, Flávio não foi alvo de medidas da Polícia Federal até o momento, e o caso segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

União Brasil também demonstra desgaste

Por sua vez, o desconforto no União Brasil ganhou força após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, aliado político de Flávio no Rio de Janeiro e cotado como pré-candidato ao Senado em sua chapa. Canella foi detido nesta semana e transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

Consequentemente, lideranças da legenda avaliam que a ausência de manifestação pública do senador diante da prisão agravou o desgaste interno com a federação. Assim, a soma dos dois episódios — o de Ciro Nogueira e o de Canella — consolidou o movimento por uma postura de “neutralidade total” na disputa presidencial.

O que muda na estratégia eleitoral do senador

Caso a decisão seja confirmada oficialmente, a candidatura de Flávio Bolsonaro perderá o respaldo de uma das maiores federações partidárias do país. Isso enfraquece tanto a capilaridade regional da campanha quanto a possibilidade de atrair nomes do PP para compor a chapa presidencial.

Entre as alternativas cogitadas anteriormente estava a senadora Tereza Cristina, do PP-MS, cuja participação como vice passa a ser considerada cada vez mais improvável diante do novo cenário. Nesse contexto, o senador terá que buscar novas articulações partidárias antes do início das convenções, em 20 de julho.

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