Afastamento de Leandro Almada expõe crise entre PF e STF

O afastamento de Leandro Almada ganhou destaque nesta terça-feira (8) após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Almada, que comandava a Diretoria de Inteligência Policial (DIP) da Polícia Federal desde dezembro de 2024, foi retirado do cargo junto com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Além disso, a medida cautelar tem validade de 90 dias e ainda depende de referendo da 2ª Turma do STF, convocada em sessão virtual extraordinária pelo próprio Mendonça. Portanto, o caso segue em análise formal dentro da Corte, embora o efeito prático já esteja em vigor.
Diante disso, o nome de Almada voltou ao centro do debate público não só pela função que ocupava na PF, mas também pela sua longa atuação em investigações sensíveis, entre elas o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.
Carreira na Polícia Federal
Antes de ingressar na PF, Almada serviu no Exército entre 1990 e 1994 e, na sequência, atuou como delegado da Polícia Civil entre 1997 e 2007. Em 2008, ele entrou para a Polícia Federal e passou a trabalhar em investigações na região amazônica e no grupo de Investigações Sensíveis da corporação, segundo apuração do site PAIPEE.
Ao longo da carreira, o delegado comandou superintendências da PF em três estados: Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro. Vale destacar que, em 2020, ele também ocupou a função de diretor de Operações do Ministério da Justiça, pasta então comandada por André Mendonça durante o governo Jair Bolsonaro — o mesmo ministro que, anos depois, determinou seu afastamento.
Motivos por trás do afastamento de Leandro Almada
Segundo a decisão de Mendonça, o afastamento de Leandro Almada está relacionado à produção de relatórios sigilosos de inteligência da PF que teriam monitorado ministros do STF e integrantes da advocacia pública. De acordo com as agências de notícias, o ministro classificou a prática como uma possível “arapongagem institucional”, já que a atividade de inteligência teria avançado sobre decisões judiciais e sobre o trabalho de delegados e agentes da própria corporação.
Implicações do afastamento de Leandro Almada
Ainda de acordo com a apuração da Gazeta da Amazônia, o diretor-geral Andrei Rodrigues teria encaminhado ao menos seis relatórios sigilosos ao ministro Alexandre de Moraes, produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026, no âmbito do Inquérito das Fake News. O próprio Mendonça alegou ter sido alvo de monitoramento irregular por mais de um mês, assim como o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Por isso, o ministro determinou a suspensão imediata da produção ou do compartilhamento de análises voltadas à atuação funcional de magistrados, membros da advocacia pública e responsáveis por atividades de polícia judiciária, além de ordenar à Corregedoria da PF a abertura de procedimentos penais e disciplinares.
Papel de Almada no caso Marielle Franco
A trajetória de Almada nas investigações sobre o crime que vitimou Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, é um dos pontos mais lembrados neste episódio. Em 2019, o delegado presidiu um inquérito que apurou uma tentativa de obstrução das apurações, identificando uma versão falsa que apontava o miliciano Orlando Curicica como responsável pelo crime.

Mais tarde, já como superintendente da PF no Rio de Janeiro, entre 2023 e 2024, Almada voltou a acompanhar o caso em outra posição estratégica. Nesse período, a investigação avançou de forma decisiva com as delações premiadas dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, apontados como executores do assassinato. Consequentemente, o nome do delegado ficou associado a um dos desfechos mais relevantes do caso nos últimos anos.
Repercussão da crise entre PF e STF
A decisão de Mendonça ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo o STF, o Palácio do Planalto e a cúpula da Polícia Federal, deflagrada depois que o ministro retirou o sigilo de relatórios sobre trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em contrapartida, a Procuradoria-Geral da República já defendeu publicamente a nulidade dos atos de Mendonça, enquanto Moraes pediu a abertura de investigação contra o colega no Inquérito das Fake News.
Diante da repercussão, governadores como Romeu Zema e Ronaldo Caiado se manifestaram publicamente sobre o episódio, e uma reunião extraordinária com o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, foi marcada para discutir o caso. Assim, o desfecho da crise em torno do afastamento de Leandro Almada ainda depende de decisões futuras da própria Corte.
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