Betim libera mosquito contra a dengue em cinco bairros da cidade

Betim dá início a uma ação inédita para reforçar o combate às arboviroses. O mosquito contra a dengue começa a ser liberado nesta semana em cinco bairros da cidade, marcando uma nova etapa na estratégia municipal de saúde pública.

A iniciativa é conduzida pelo World Mosquito Program (WMP) Brasil, por meio da Fiocruz, em parceria com a Prefeitura de Betim e o Governo de Minas Gerais. Além disso, o projeto vem sendo estruturado desde janeiro deste ano, com o objetivo de reduzir os casos e óbitos por dengue, zika e chikungunya no município.
Portanto, a chegada do mosquito contra a dengue representa uma alternativa complementar às ações tradicionais de combate ao vetor, especialmente em um cenário de temperaturas elevadas associadas ao El Niño e às mudanças climáticas — condições que favorecem a proliferação do Aedes aegypti.
Como funciona o mosquito contra dengue
Os exemplares liberados são chamados de “Wolbitos”: mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Segundo o WMP Brasil, eles são produzidos em uma biofábrica localizada em Belo Horizonte e liberados de forma controlada nas áreas escolhidas.
Ao cruzar com a população local do inseto, o mosquito contra a dengue transmite a Wolbachia às gerações seguintes. Dessa forma, reduz-se progressivamente a capacidade do vetor de transmitir dengue, zika e chikungunya. Vale destacar que estudos científicos apontam que o método é seguro, não envolve modificação genética e não representa risco para humanos, animais ou o meio ambiente.
Quais bairros recebem o mosquito contra dengue
A primeira fase do projeto contempla cinco regiões escolhidas por critérios técnicos, como número de casos registrados e índices de infestação. São eles: Jardim Teresópolis, Santo Antônio, Vila Boa Esperança, Amazonas e Renascer.

As liberações acontecerão em todas as ruas e avenidas com acesso para veículos dentro do raio técnico definido pela equipe. Ao mesmo tempo, o cronograma prevê duração estimada de 16 a 20 semanas por área, com a primeira ação realizada em 31 de agosto. Nas semanas seguintes, as operações ocorrerão às quartas-feiras, a partir das 5h30.
De onde vem o financiamento
A ação é financiada com recursos do Acordo Judicial de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale. Como se sabe, o rompimento da barragem, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, tirou a vida de 272 pessoas, e o acordo prevê justamente ações de recuperação social, econômica e ambiental para os territórios atingidos.
Por sua vez, a Secretaria de Saúde de Betim reforça que o mosquito contra a dengue funciona como método complementar, e não como substituto das medidas rotineiras de prevenção. Assim, continuam sendo essenciais atitudes como manter quintais limpos, eliminar criadouros, permitir a entrada dos Agentes de Combate às Endemias e manter em dia a vacinação contra dengue para a faixa etária de 10 a 14 anos.
A combinação dessas ações amplia as chances de controle da doença e pode representar uma virada importante na saúde pública do município.





