Prefeito inaugura escola inclusiva de Betim neste sábado

A escola inclusiva de Betim ganha corpo neste sábado (22), às 10h, com a inauguração da Escola Municipal Especializada Geny Carvalho Trindade. A unidade é a primeira da cidade pensada especificamente para estudantes que precisam de nível intenso de suporte.

A entrega marca o início oficial do Programa Betim Inclusiva – Centro de Inclusão, Desenvolvimento e Acolhimento Didático Especializado (CIDADE), estrutura que passa a organizar toda a política de Educação Especial do município. Dessa forma, a escola inclusiva de Betim inaugura uma etapa em que atendimento individualizado, equipes especializadas, acessibilidade e integração entre educação, saúde, assistência social e família caminham juntos.
Por trás da iniciativa está um diagnóstico robusto: a Prefeitura identificou cerca de 3.900 estudantes que necessitam de algum tipo de atendimento especializado, distribuídos em 82 unidades escolares da rede. Aproximadamente 80% desse grupo apresenta condições relacionadas à neurodivergência, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.
Uma escola inédita em Betim
A escola inclusiva de Betim é o principal símbolo do novo programa municipal. Localizada na avenida Edméia Mattos Lazzarotti, nº 4.828, no Conjunto Habitacional Olímpia Bueno Franco, a unidade foi projetada para atender estudantes da Educação Especial com necessidade de suporte intenso.

O modelo pedagógico não nasceu do zero: foi inspirado em experiências de Porto Alegre, Muriaé e da Colômbia, adaptado à realidade local. As turmas terão entre 5 e 15 estudantes, com professores especializados e um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) construído conforme as características e a forma de aprendizagem de cada aluno.
O currículo segue a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Currículo de Minas Gerais, com as adaptações necessárias. A carga horária será de quatro horas para o Ensino Fundamental I e de quatro horas e 20 minutos para o Ensino Fundamental II. Vale destacar, ainda, que o ingresso segue critérios técnicos: o estudante precisa estar matriculado na rede municipal há pelo menos seis meses e passar por avaliação de uma equipe multiprofissional antes da matrícula.
Inclusão que ultrapassa os muros da escola
A escola inclusiva de Betim não se limita ao espaço físico da nova unidade. O programa amplia a rede de cuidado com a implantação de oito equipes multiprofissionais, formadas por neuropediatra, pediatra, psicopedagogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e assistentes sociais.
Essas equipes vão atuar de forma fixa e itinerante, acompanhando estudantes nos territórios e fortalecendo a integração entre escola, família e serviços públicos. Por sua vez, o programa também prevê a implantação de 20 salas multissensoriais até 2028, pensadas para favorecer a autorregulação emocional, a comunicação e o desenvolvimento dos estudantes.

Outra novidade é a figura do mediador de aprendizagem, profissional com papel estratégico na autonomia dos estudantes e na articulação entre alunos, professores, famílias e equipes especializadas. Uma plataforma digital vai acompanhar, ainda, a trajetória de cada estudante — reunindo dados de evolução pedagógica, intervenções, avaliações, frequência e histórico escolar.
Um espaço pensado para acolher
A escola inclusiva de Betim também se reflete na arquitetura da nova unidade. O espaço conta com jardins sensoriais, espaços recreativos, quadra poliesportiva, calçadas acessíveis, passagens elevadas, guarda-corpos e melhorias de drenagem e pavimentação.
O entorno recebeu nova sinalização viária, ciclofaixa e reforço da iluminação pública com luminárias de LED e rede subterrânea. Como toque final, os muros ganharam um mural artístico assinado pelo grafiteiro Skilo Art, reforçando a identidade lúdica e acolhedora do espaço.
Desafio nacional
O avanço no município acompanha uma tendência de rápida expansão da Educação Especial em todo o país. Dados do Censo Escolar apontam que o Brasil já ultrapassou a marca de 2 milhões de estudantes matriculados na modalidade, impulsionado principalmente pelo diagnóstico e acolhimento de alunos neurodivergentes — grupo que representa a maior fatia desse público nas redes públicas de ensino.
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