1º de Maio 2026: luta pelo fim da escala 6×1 toma cidades

Neste 1º de maio, o Dia do Trabalhador mobilizou trabalhadores e trabalhadoras em diversas cidades no Brasil, com atos descentralizados que levaram as pautas sindicais. Enquanto a esquerda ocupou praças e bairros com reivindicações como o fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio, a direita reservou a Avenida Paulista — principal cartão-postal da cidade — mas reuniu apenas algumas dezenas de pessoas, num ato visivelmente esvaziado.
A estratégia de descentralização adotada pela CUT São Paulo buscou aproximar o movimento dos trabalhadores onde eles vivem, sem exigir deslocamento até a capital. Além disso, a data serviu como ponto de partida para uma ofensiva política: lideranças sindicais e parlamentares anunciaram pressão direta sobre deputados e senadores para votar o fim da escala 6×1 ainda em maio.
Vale destacar que a mobilização deste ano ganhou força nacional, com nomes como Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva presentes nos atos, reforçando o caráter político e eleitoral da data.

Classe trabalhadora entra na luta pelo fim da escala 6×1
A principal mobilização da esquerda na capital ocorreu na Praça Roosevelt, organizada pela Intersindical, pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Portanto, a concentração reuniu diferentes centrais sindicais em torno de pautas comuns: o fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio em São Paulo, a regulamentação do trabalho por aplicativo e a valorização do salário mínimo.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL), autora da proposta que busca acabar com a escala 6×1, discursou na Praça Roosevelt com críticas duras ao Congresso Nacional. “Nós avançamos e iremos avançar, porque nós não suportamos mais essa escala desumana e obsoleta. Esta luta é de todos nós”, declarou. Além disso, Hilton classificou o Congresso como “inimigo do povo” e fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Outros parlamentares também subiram ao palanque, entre eles o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) e a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP), ampliando o espectro político dos atos e consolidando a Praça Roosevelt como o principal palco das manifestações progressistas na capital.
Haddad e lideranças nacionais reforçam pressão pelo voto no Congresso

Em São Bernardo do Campo, a mobilização reuniu figuras de peso do cenário político nacional. O pré-candidato ao governo do estado, Fernando Haddad, participou do ato à tarde ao lado das ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva, dando ao evento uma dimensão que vai além do calendário sindical.
“A batalha do ano é fazer o Congresso aprovar antes das eleições a revisão da jornada 6×1. Se não tiver mobilização da classe trabalhadora, isso vai sendo adiado. Precisamos aproveitar o ânimo dos trabalhadores para falar com deputados, deputadas, senadores e senadoras, para que votem a emenda constitucional”, afirmou Haddad.
Nesse contexto, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, reforçou o prazo: “A pressão hoje é para que se vote ainda este mês.” Nobre também defendeu a regulamentação dos trabalhadores por aplicativo. “Muitos jovens estão fora do sistema de proteção social e do sistema trabalhista. Eles precisam ter direitos assegurados, dignidade. Essa pauta é central para nós”, declarou.
Direita reserva Paulista mas não consegue mobilizar
No campo oposto, o grupo conservador “Patriotas do QG” surpreendeu ao reservar com antecedência a Avenida Paulista junto ao governo de São Paulo — ponto historicamente associado às grandes manifestações de massa. Com pouco mais de 4 mil seguidores no Instagram, o grupo convocou apoiadores sob o lema “Flávio presidente, Bolsonaro livre e Supremo é o povo.”
No entanto, o resultado foi pífio. Até o meio da tarde, apenas algumas dezenas de pessoas circulavam pelo ponto de encontro, sem a presença de nenhuma liderança política relevante. Dessa forma, o esvaziamento do ato conservador contrastou fortemente com as mobilizações de esquerda, que, apesar de também registrarem menor adesão do que em anos anteriores, mantiveram presença ativa em múltiplos pontos do estado.
CUT mira gabinetes e defende redução da jornada

Além disso, o presidente da CUT São Paulo criticou a derrubada dos vetos presidenciais à PL da Dosimetria. “Desmembraram para poder proteger exclusivamente Bolsonaro. Isso aqui tá nítido. Bolsonaro e seus apoiadores que articularam o golpe. Então, a gente tem que pressionar”, declarou.
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Fim da escala 6×1
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