Projeto Museu Vivo da Colônia Santa Isabel sai do papel

A cidade de Betim deu, neste domingo (29), um passo importante para resgatar e preservar uma das histórias mais marcantes de sua trajetória. A assinatura de um acordo marca o início de uma nova fase na implantação do Museu Vivo da Colônia Santa Isabel, em Citrolândia.
A iniciativa envolve o Governo Federal, instituições de ensino e o poder público municipal. Além disso, prevê investimentos e ações voltadas à memória, cultura e direitos humanos. Dessa forma, o projeto pretende transformar a antiga colônia — marcada pelo isolamento — em um espaço de memória a céu aberto.
Projeto valoriza memória e amplia debate social

Nesse sentido, o Museu Vivo da Colônia Santa Isabel busca dar voz às pessoas que viveram na colônia. Por meio de registros históricos, produção audiovisual e pesquisas, a proposta fortalece o debate sobre o impacto social da hanseníase no Brasil.
Além disso, o projeto também contribui para a preservação da história local e para a valorização da dignidade humana. Assim, o espaço passa a ser não apenas um local de memória, mas também de reflexão e aprendizado coletivo.
O secretário municipal de Cultura, Thiago Flores, destacou a importância do investimento inicial de R$ 240 mil. “O Ministério dos Direitos Humanos está transferindo recursos para o Instituto Federal de Minas Gerais, com o objetivo de iniciar os trabalhos técnicos necessários à execução do projeto. Vamos mobilizar as equipes técnicas e construir o projeto-base.”
Ministra dos Direitos Humanos visita Betim

Por outro lado, o alcance da iniciativa pode ir além de Betim. De acordo com a Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, o projeto tem potencial de expansão. “Existem várias colônias no estado de Minas Gerais e em todo o Brasil. Este trabalho que se inicia aqui deve se estender a outras, dentro dessa mesma agenda”, afirmou acrescentando: “O Brasil, infelizmente, teve no seu passado práticas segregadoras, que afastou filhos de pais. E hoje o Brasil faz uma política de reparação para toda essa população”.

Enquanto isso, o prefeito Heron Guimarães ressaltou o simbolismo do momento. “Este momento marca o início das ações do projeto Museu Vivo da Colônia Santa Isabel, uma iniciativa que busca dar visibilidade à história da colônia e fortalecer o compromisso com a preservação da memória, da dignidade e das vozes de todos que fazem parte dessa trajetória tão importante”. Ele também destacou os elementos que vão compor o espaço. “Nós vamos ter uma grande escultura às margens da BR-381, para dar visibilidade a essa história, e também vamos trazer um vagão histórico que simboliza como essas pessoas eram transportadas no período de isolamento”, afirmou.
A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Minas Gerais (Iphan/MG), Maria do Carmo Lara, reforçou a importância da preservação histórica. “Preservar a memória é preservar o patrimônio imaterial”, afirmou.
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Museu Vivo da Colônia Santa Isabel






