Armadilha da fé, igrejas envolvidas na fraude do INSS na mira da CPMI

Armadilha da fé, igrejas envolvidas na fraude do INSS na mira da CPMI

A investigação da CPMI do INSS avançou para um ponto sensível ao analisar igrejas envolvidas na fraude do INSS, especialmente após o rastreamento de fluxos financeiros atípicos ligados a fintechs religiosas. Desde agosto de 2025, a comissão cruza dados da Polícia Federal, da CGU e da Receita Federal. Nesse processo, chamou atenção o fato de empresários suspeitos de desviar recursos de aposentados realizarem doações relevantes a instituições religiosas ou manterem vínculos diretos com líderes evangélicos.

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Assim, o foco da CPMI deixou de ser apenas o desconto indevido e passou a examinar o destino final do dinheiro, incluindo a fraude, sempre com base em documentos oficiais e relatórios financeiros.

Como a CPMI rastreou o dinheiro dos aposentados

Inicialmente, a CPMI identificou associações que descontavam valores sem autorização de aposentados e pensionistas. Em seguida, os parlamentares mapearam os chamados “Golden Boys”, grupo de jovens empresários suspeitos de operar o esquema. A partir daí, surgiram indícios de que parte dos recursos circulava por fintechs, doações e patrocínios religiosos. Além disso, operações da Polícia Federal revelaram o uso de estruturas financeiras paralelas para pulverizar valores.

Dessa forma, a comissão passou a tratar o tema das igrejas envolvidas na fraude do INSS como uma etapa necessária da investigação, não por motivação religiosa, mas por evidências financeiras concretas.

Igreja Batista Lagoinha na fraude do INSS

CPMI do INSS; fraude no INSS;
Igreja Batista da Lagoinha de Belo Horizonte
Imagem: Reprodução/Instagram

A Igreja Batista da Lagoinha entrou no radar da CPMI após a identificação de conexões entre empresários investigados e líderes ligados à instituição. Um dos pontos centrais é o Clava Forte Bank, fintech cristã fundada por André Valadão e sua esposa, Cassiane Valadão.

Desde pelo menos 21 de novembro, o site, o aplicativo e as redes sociais da empresa estão fora do ar, sob a justificativa de “manutenção programada”. Entretanto, segundo o deputado Rogério Correia (PT-MG), esse período coincide com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, empresário com relações históricas com Valadão e com a Lagoinha. Para a CPMI, essa coincidência reforça a necessidade de investigar se a fintech pode ter funcionado como canal de circulação de valores desviados do INSS, ampliando o debate sobre igrejas envolvidas na fraude do INSS.

fintech religiosa; descontos indevidos
Clava Forte Bank, fintech ligada à Lagoinha, entrou no radar da CPMI do INSS após ficar fora do ar durante investigações – Art. AI

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é afastado da Igreja da Lagoinha

A relação entre André Valadão e a família Vorcaro não é recente. Antes de se tornar banqueiro, Daniel Vorcaro apresentava um programa gospel na emissora da Lagoinha, viabilizada, segundo reportagens, por doações de seu pai. Além disso, há registros de apoio financeiro pessoal ao líder religioso, incluindo auxílio na quitação de um veículo de luxo. Soma-se a isso o fato de que a irmã de Vorcaro atua como pastora em uma unidade da Lagoinha.

Esses vínculos levaram a CPMI a questionar se o Clava Forte Bank manteve atuação conjunta com o Banco Master. Assim, o debate sobre igrejas envolvidas na fraude do INSS passou a incluir também o papel das fintechs religiosas no sistema financeiro paralelo.

André Valadão
Fabiano Zettel, pastor da Igreja Batista da Lagoinha, pivor de um escândalo pentecostal – FT: Rede social/divulgação

Clientes relatam dificuldade para reaver valores

Enquanto a investigação avança, fiéis relatam problemas práticos. Um casal que trabalhava em unidades da Lagoinha abriu conta no Clava Forte após o banco ser apresentado como uma “ferramenta espiritual com tecnologia de ponta”. No entanto, ao encerrar a conta, não conseguiu reaver cerca de R$ 3 mil, já que o aplicativo e o site estavam fora do ar.

Após insistência, foram orientados a procurar a empresa parceira Dock Instituição de Pagamento, alvo de milhares de reclamações. Esse relato ilustra como o debate sobre igrejas envolvidas na fraude do INSS não se limita à política, mas afeta diretamente fiéis e trabalhadores ligados às instituições.

Damares divulga pastores citados na CPMI do INSS

A CPMI do INSS investiga fraudes que podem ter causado prejuízo superior a R$ 6 bilhões aos aposentados. Além disso, a suspeita de uso de fintechs religiosas como canais financeiros amplia a complexidade do esquema. Para o cidadão comum, o caso reforça a importância de acompanhar extratos, questionar descontos e desconfiar de promessas financeiras associadas à fé. Assim, entender o papel das igrejas envolvidas na fraude do INSS ajuda a separar crença religiosa de responsabilidade institucional, fortalecendo o controle social e a proteção do consumidor.

Lista divulgada por Damares amplia pressão sobre a CPMI

igrejas envolvidas na fraude do INSS
A senadora Damares Alves durante sessão da Comissão de Direitos Humanos – FT: Andressa Anholete

Após sofrer críticas por não divulgar os nomes citados em suas declarações, a senadora Damares Alves tornou pública a relação de igrejas e líderes religiosos mencionados em requerimentos da CPMI do INSS. Segundo ela, a divulgação ocorreu para dar transparência ao processo e evitar interpretações equivocadas sobre generalizações contra o segmento evangélico.

Entre as igrejas mencionadas nos requerimentos estão a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e a Igreja Evangélica Campo de Anatote. Já entre os líderes religiosos citados aparecem Cesar Belucci do Nascimento, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes.

A CPMI avalia vínculos financeiros, convites para depoimento e pedidos de quebra de sigilo, sempre com base em relatórios de inteligência financeira e dados fiscais.

André Valadão se pronuncia e nega qualquer irregularidade

igrejas envolvidas na fraude do INSS
André Valadão se pronuncia e nega qualquer irregularidade, enquanto Damares e Malafaia trocam farpas – art. rede social

Diante da repercussão, André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, usou suas redes sociais para se manifestar. Em nota publicada no Instagram, ele afirmou que não existe qualquer indício, evidência ou comprovação de que a igreja tenha sido utilizada, direta ou indiretamente, em esquemas ilícitos relacionados à CPMI do INSS ou à Operação Compliance Zero. Além disso, Valadão reforçou que a instituição não responde por atos individuais de fiéis ou frequentadores e que sempre colaborará com as autoridades.

A manifestação buscou conter danos à imagem da igreja, que figura entre as mais conhecidas do país. No entanto, parlamentares da CPMI destacam que a investigação segue critérios técnicos e documentais. Dessa forma, o caso continua em apuração, enquanto o debate sobre igrejas envolvidas na fraude do INSS permanece no centro das atenções políticas e sociais.

Matenha-se informado

Em janeiro de 2026, a senadora Damares Alves divulgou uma lista de instituições religiosas e líderes que são alvo de requerimentos (como pedidos de convocação, quebra de sigilo ou convites) na CPMI do INSS, que investiga fraudes em descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados

Veja mais

 https://noticiaaiempreende.com.br/

Damares cita igrejas envolvidas na fraude do INSS e afronta Malafaia

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Lourival Santana

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