Câncer de próstata em Betim cresce 62,4% e preocupa em 2026

Câncer de próstata em Betim avançou 62,4% entre janeiro e outubro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que a cidade identificou 151 diagnósticos nos primeiros dez meses de 2026, contra 93 casos no ano passado.
Além disso, o salto ganha ainda mais peso quando a comparação volta a 2024. Naquele ano, a rede de saúde identificou 74 pacientes até outubro, ou seja, o aumento chega a 104% em 2026. Portanto, o cenário acende um alerta em pleno Novembro Azul, campanha nacional de conscientização.
Nesse contexto, a doença merece atenção redobrada. Segundo o Inca, ela é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Por isso, o diagnóstico precoce segue como a principal arma contra a enfermidade.
Casos de câncer de próstata em Betim dobram em dois anos
Os números da SMS mostram uma curva ascendente. Em 2024, a cidade somou 74 diagnósticos até outubro. Em 2025, o total subiu para 93 e, neste ano, chegou a 151. Dessa forma, o câncer de próstata em Betim passou a exigir mais da rede de saúde a cada ano.
Em contrapartida, o panorama estadual aponta para outra direção. Até julho, Minas Gerais registrou 1.527 novos casos, segundo o Painel de Oncologia do DATASUS. Em 2025, o total foi de 5.457 e, em 2024, chegou a 6.972.
Vale destacar que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) pede cautela com esses números. Em nota, a pasta explicou que as plataformas oficiais de monitoramento oncológico operam com intervalo de atualização e que o processamento de biópsias leva alguns meses para a consolidação completa.
Tabu masculino atrasa o diagnóstico precoce
O oncologista Flávio Cárcano, do Hospital Mater Dei Betim-Contagem, aponta o constrangimento como um dos principais obstáculos.
“Existe ainda um tabu relacionado à masculinidade, muito associado ao exame de toque retal, que faz com que os homens protelem ou evitem procurar o urologista, esperando os sintomas, mas o mais comum é não ter sintomas.”
Consequentemente, muitos pacientes só descobrem o câncer de próstata em Betim quando a doença já avançou. “Ou seja: nos estágios iniciais, o paciente perde uma chance importante de ser curado da doença. Esse constrangimento em se falar do assunto é um fator que impacta negativamente o diagnóstico precoce e, consequentemente, as taxas de cura”, ressalta o oncologista.
Diante disso, o médico indica o caminho mais eficaz: “O principal fator para minimizar esse constrangimento é a informação”.
Como funciona o atendimento no SUS em Betim
Em Betim, o acolhimento começa na Atenção Primária à Saúde, porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, o homem com suspeita de câncer de próstata em Betim passa primeiro por avaliação médica na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência.
Se houver indicação, a equipe encaminha o paciente para um urologista ou clínico geral, que investiga e confirma o diagnóstico, de acordo com a SMS. Depois da confirmação, o tratamento oncológico acontece no Hospital Mário Penna, na própria cidade. Já a SES-MG garante consultas, exames, cirurgias, quimioterapia e radioterapia pelo SUS em todo o estado.
Sintomas, fatores de risco e prevenção
Na maioria das vezes, a doença não dá sinais. No entanto, quando ela progride, o paciente pode sentir dificuldade para urinar, notar jato fraco ou em gotejamento e encontrar sangue no sêmen. Em casos de metástase, o comprometimento ósseo costuma causar dor e aumentar a chance de fraturas, segundo Cárcano.
Entre os fatores de risco, o oncologista cita parente de primeiro grau com a doença, principalmente em idade precoce, e o avanço da idade. Além disso, homens pretos e pessoas com alterações genéticas conhecidas têm mais propensão. Para ele, o câncer de próstata em Betim e no resto do país tem boas chances de cura:
“Posso dizer que o câncer de próstata é uma doença muito curável, mas isso está diretamente relacionado à detecção precoce.”

Por fim, a prevenção passa por alimentação equilibrada, atividade física, hidratação e acompanhamento rotineiro com o urologista. O exame de PSA, por sua vez, deve começar aos 50 anos.
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