Chuva em Betim poder ser o dobro da média histórica

Chuva em Betim poder ser o dobro da média histórica

A chuva em Betim deve atingir um volume quase duas vezes maior que o normal no pico do período chuvoso, segundo projeções da Defesa Civil municipal. Portanto, o órgão estima 400 mm em dezembro, contra a média histórica de 208 mm que o ClimaTempo calcula para o mês.

A previsão surgiu em audiência pública na Câmara Municipal, quando a Defesa Civil apresentou o Plano de Contingência de Enfrentamento ao Período Chuvoso 2026/2027. Além disso, o alerta veio acompanhado de um dado preocupante: o número de áreas de risco passou de 180 em 2024 para 208.

Atualmente, 9.562 moradores vivem nesses locais. Diante disso, a prefeitura aposta na descentralização das ações de prevenção, monitoramento e resposta a emergências, com atuação específica em cada uma das dez regionais.

Como a Defesa Civil se prepara para a chuva em Betim

Segundo a superintendente de Defesa Civil de Betim, Suellen Reis, a regionalização permite agilizar o atendimento e acompanhar melhor os pontos vulneráveis. Dessa forma, cada regional responde com mais rapidez quando a chuva em Betim provocar ocorrências.

chuva em Betim
Chuva em Betim – SECOM-PMB

“Com um plano de resposta regionalizado, conseguimos fazer a gestão dessa situação de emergência de forma objetiva e rápida”, afirma ela.

Por sua vez, o plano reúne ações de prevenção, monitoramento e resposta. Sendo assim, o município pretende reduzir os danos antes, durante e depois dos temporais.

Por que as áreas de risco aumentaram

De acordo com Suellen Reis, o crescimento das áreas de risco está ligado, principalmente, a intervenções humanas inadequadas. Nesse contexto, a chuva em Betim tende a causar mais estragos em terrenos que moradores alteraram sem orientação técnica.

“Ao fazermos o mapeamento anual das áreas de risco, descobrimos alguma intervenção que uma pessoa fez, um corte irregular de um talude, por exemplo, que faz com que aquele ponto se torne crítico e de atenção para a Defesa Civil”, explicou.

Bairros com mais moradores vulneráveis

Entre as áreas que exigem mais atenção, Citrolândia e Colônia Santa Isabel lideram o alerta para inundações. Ao todo, 1.270 pessoas estão vulneráveis nesses locais, o que mantém o monitoramento ativo sempre que a chuva em Betim se intensifica.

Já em relação aos riscos geológicos e à possibilidade de deslizamentos de terra, o município vigia sobretudo bairros como Alterosas, onde 966 pessoas vivem em áreas de risco. Além disso, a prefeitura também acompanha Teresópolis e Icaivera.

Obras e ações da prefeitura

Para reduzir os impactos, a prefeitura prevê obras de mitigação e manutenção preventiva. Entre as intervenções, estão o desassoreamento de rios e córregos, como o Riacho das Areias, o Rio Betim e os córregos Bandeirinhas, Estiva e da avenida Yeté. Ao mesmo tempo, o município vai intensificar a limpeza de bocas de lobo, os serviços de microdrenagem e a manutenção das calhas pluviais.

Além disso, a gestão planeja obras de contenção em sete encostas. Vale destacar que, entre 2017 e 2024, durante a gestão do ex-prefeito Vittorio Medioli, o município construiu 19 encostas. No período, o então gestor também instituiu o Grupo Gestor de Risco e Desastres e criou o Centro Integrado de Operações (COP). O órgão reúne serviços como as guardas Municipal e Patrimonial, a Defesa Civil e a Polícia Militar, recebe os chamados de urgência da população e monitora as áreas de risco, o nível dos rios e o volume de chuvas nas regionais.

Por outro lado, a atual administração aposta no Projeto Paraopeba Vivo, que une infraestrutura e educação ambiental na prevenção de desastres ecológicos. A iniciativa prevê a realocação de famílias e o plantio de mudas. Em dezembro de 2026, a prefeitura entrega áreas verdes urbanas planejadas para captar, filtrar, reter e infiltrar a água da chuva no solo. Citrolândia já tem a sua pronta, enquanto Nossa Senhora de Fátima e Vila das Flores seguem em execução. Com isso, a cidade reforça a proteção contra a chuva em Betim.

Plano específico para o El Niño

O município elaborou ainda um plano voltado a mitigar os efeitos do fenômeno El Niño, que se estende até meados de 2027. As ações começaram em junho e incluem o desassoreamento dos rios e o aumento da limpeza das bocas de lobo. Por fim, a prefeitura também instala bebedouros nas praças públicas, para a população e para os pets.

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Lourival Santana

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