Vittorio Medioli defende auditoria na dívida de Minas

Vittorio Medioli defende auditoria na dívida de Minas
Vittorio Medioli
Deputado estadual eleito Vittorio Medioli

O empresário Vittorio Medioli  já projeta suas principais bandeiras de atuação para o próximo mandato e para a relação com o novo governo estadual. Em pauta, estão propostas incisivas para o enfrentamento da dívida pública de Minas Gerais com a União e a revisão de acordos passados. Deputado estadual eleito pelo PL sugere pente-fino com calculadora e lupa na dívida pública de cerca de R$ 200 bilhões com a União e quer rediscutir perdas bilionárias do estado.

Auditoria na dívida de Minas com a União

Medioli afirma que já conversou com o governador eleito, Cleitinho Azevedo, a quem sugeriu a realização de uma auditoria rigorosa — “com lupa e calculadora nas mãos” — para revisar os cálculos que formaram o saldo atual da dívida mineira, que gira em torno de R$ 200 bilhões.

“O enfrentamento da dívida tem que ser de cabeça erguida. Nas conversas que tive com o governador Cleitinho, eu sugeri que se fizesse uma auditoria da dívida, porque tem que ver como essa dívida foi calculada. Normalmente, foi calculada pelos bancos, e não pelo estado, e esse valor pode mudar”, afirmou Medioli.

O deputado eleito usa como exemplo a sua própria experiência como prefeito de Betim (Região Metropolitana de Belo Horizonte), onde auditorias identificaram inconsistências e erros na aplicação de juros e correções sobre débitos municipais, resultando em redução do saldo. Para ele, uma revisão nas regras estabelecidas desde a década de 1990 — com desdobramentos do Plano Real — pode trazer economias expressivas aos cofres mineiros:

“Pode abater 10%, 15%, 20%, que significa sempre bilhões que podemos recuperar”, destacou.

Rediscussão da Lei Kandir e perdas do estado

Além do débito federal, Vittorio Medioli defende a retomada das discussões sobre os prejuízos causados aos estados exportadores pela Lei Kandir, assinada em 1996. Segundo o parlamentar, Minas Gerais teria cerca de R$ 175 bilhões a receber em razão das perdas com a desoneração de exportações, valor que acabou reduzido por um acordo firmado anteriormente para R$ 8 bilhões, divididos em 15 anos.

“Vamos rediscutir isso. Falaram que [o acordo] foi aprovado pelo STF. Entretanto, tem um princípio constitucional de que dano ao erário não prescreve. Portanto, vamos rediscutir com o próprio STF as condições de renegociação dessa dívida”, pontuou, questionando também a disparidade de tratamento em descontos concedidos pela União.

Contribuições para a transição de governo

Sobre o processo de transição em Minas Gerais, Medioli relata que tem levado sugestões de nomes técnicos e se colocado à disposição para colaborar com a futura gestão, ressaltando que a palavra final cabe ao governador eleito Cleitinho.

“Se eu for convocado, será uma honra poder ajudar com a experiência que nós tivemos e também em dar peso e consistência. Normalmente, as comissões de transição têm um lado festeiro. Essa aqui não pode ser festeira”, avaliou.

Sem discutir cargos previamente com o governador eleito, Medioli enfatizou que o modelo de gestão aplicado em Betim — com foco em saúde, parcerias público-prévias (PPPs) e diálogo com o funcionalismo público.

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Lourival Santana

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