Fachin dá 24h para Mendonça liberar sigilo sobre repasse de R$ 61 milhões

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta sexta-feira (11) a quebra total do sigilo sobre o “repasse de R$ 61 milhões” que o antigo Banco Master teria feito para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão do ministro Edson Fachin dá 24 horas para que o ministro André Mendonça libere todos os documentos da Operação Compliance Zero, incluindo essa linha de investigação até então mantida em segredo.

A medida atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Para o órgão, manter parte do material sob sigilo passa uma “ideia equivocada” de que a transparência da apuração estaria comprometida — justamente quando um dos pontos mais sensíveis da investigação é esse suposto repasse milionário.
Segundo a Polícia Federal (PF), há suspeita de que o dinheiro tenha sido entregue por Daniel Vorcaro, dono do Master, a pedido do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Vale destacar que essa apuração é uma das mais delicadas de toda a Compliance Zero, por envolver diretamente a família do ex-presidente.
O que se sabe sobre o repasse de R$ 61 milhões

Até esta sexta-feira, a investigação sobre o suposto “repasse de R$ 61 milhões” estava entre os procedimentos que Mendonça, relator do caso no Supremo, optou por manter em segredo de Justiça. Isso ocorreu mesmo depois de o ministro liberar, na noite de quinta-feira (9), outros 15 procedimentos derivados da operação, a pedido de Fachin.
Por isso, a PGR reforçou o pedido de acesso à integralidade dos documentos, argumentando que a divulgação parcial prejudica a análise completa do processo pelos demais ministros. Diante disso, Fachin determinou que todos os documentos sejam disponibilizados, “ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para as quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo.
Cinebiografia “Dark Horse”: repasse de R$ 61 milhões
O filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, está no centro da suspeita sobre o repasse financeiro. Segundo a PF, o valor teria saído do Master a pedido de Flávio Bolsonaro, o que classifica a apuração como uma das mais explosivas do caso.
Assim, a expectativa é de que a liberação total do sigilo, nas próximas 24 horas, traga detalhes sobre como o dinheiro teria circulado e quem mais estaria envolvido na operação. Ainda assim, cabe destacar que, até o momento, não houve confirmação pública sobre irregularidades específicas nesse repasse.
Crise institucional no pano de fundo
Essa decisão ocorre em meio a uma crise institucional sem precedentes no STF, marcada pela troca de acusações públicas, relatórios comprometedores e pedidos de investigação mútuos entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Fachin determinou ainda a remessa de todo o material aos gabinetes dos demais ministros, para que analisem os documentos antes de um julgamento marcado para terça-feira (15), quando o plenário decidirá outro pedido da PGR: a anulação de um relatório da PF que liga Vorcaro a Moraes.
Outra linha de apuração mantida sob sigilo até então envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e sua ligação com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master.
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