Candidatura de Flávio Bolsonaro trava após suspeita de fraude no TSE

A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República enfrentou um obstáculo inesperado nesta quinta-feira (13). O senador (PL-RJ) apareceu cadastrado como filiado ao partido Missão no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que impediu o protocolo oficial do seu pedido de registro pelo PL.

A assessoria jurídica da campanha classificou o episódio como fraude. Segundo a advogada Maria Claudia Bucchianeri, a alteração cadastral foi identificada no momento em que a equipe reunia os documentos necessários para formalizar o registro perante a Justiça Eleitoral.
O caso já está sob análise do TSE, que ainda não se manifestou oficialmente. Como o prazo para o registro das candidaturas se encerra às 19h deste sábado (15), a urgência para resolver o imbróglio aumenta a pressão nos bastidores.
Como a alteração foi descoberta
De acordo com apurações do portal Notícia aí, uma certidão emitida pelo sistema do TSE às 11h13 desta quinta-feira mostra que Flávio figurava com filiação regular ao Missão desde quarta-feira (12/8), data em que também constava sua desfiliação do PL. Antes dessa alteração, o parlamentar estava filiado ao PL continuamente desde novembro de 2021.

A advogada da campanha destacou o caráter atípico da mudança:
“É inequívoco que foi fraudulento. E aconteceu depois das 23h17 de ontem. Eu tenho uma certidão emitida no sistema do TSE de que o Flávio era candidato do PL ontem às 23h17”, explicou Maria Claudia.
Com isso, a candidatura de Flávio Bolsonaro ficou temporariamente inviabilizada no sistema até que a filiação original seja restabelecida.
Até o momento, não há confirmação sobre como a alteração ocorreu. “Precisamos entender se foi hacker, uma venda de senha ou alguém que entrou no sistema dolosamente”, completou Bucchianeri.
Posicionamento da defesa e antecedentes
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que houve “falsificação” no cadastro. A legenda já acionou formalmente o TSE e aguarda posicionamento do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.
A defesa citou ainda um caso similar ocorrido em 2022, quando o então candidato Lula (PT) apareceu temporariamente filiado ao PL no sistema eleitoral. Na época, o ministro Alexandre de Moraes instaurou apurações para investigar a falha ou invasão. Segundo Bucchianeri, novos protocolos de segurança foram implementados desde então, mas o episódio atual exigirá a abertura de um novo inquérito policial.
A equipe jurídica pretende solicitar o restabelecimento imediato da filiação e acionar a Polícia Federal. O pré-candidato do partido Missão, Renan Santos (liderança do MBL), também fala em fraude.
Corrida contra o tempo no TSE
Sem a regularização no sistema, o PL permanece impossibilitado de protocolar a candidatura. Enquanto o partido busca solucionar o problema, outros cinco candidatos à Presidência — incluindo o presidente Lula (PT) — já tiveram suas candidaturas registradas e disponibilizadas na plataforma do TSE.

Flávio Bolsonaro teve sua pré-candidatura oficializada em convenção partidária realizada em São Paulo no final de julho. A chapa ainda não definiu o nome para o cargo de vice-presidente, e a expectativa é de que o TSE apresente uma solução para a inconsistência cadastral nos próximos dias.
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