Representatividade política de Betim empacada

Após quase duas décadas sem protagonismo nas eleições proporcionais, a representatividade política de Betim volta ao debate — mais por necessidade do que por vocação. O prefeito Heron Guimarães sinaliza o desejo de recolocar o município no mapa político estadual e federal, tentando repetir 2006, quando a cidade conseguiu eleger seis deputados. A intenção é legítima. O problema está no caminho.
Ao longo dos anos, o eleitor betinense se afastou de suas próprias lideranças. Não por desinteresse pela política, mas por cansaço. Sem representantes comprometidos com as demandas locais, Betim perdeu força na disputa por emendas, articulação institucional e investimentos estruturantes. A ausência de voz própria cobra um preço alto.
Para enfrentar esse vazio, o Executivo articula nomes para a Assembleia Legislativa de Minas e a Câmara Federal. Léo Contador surge como o mais adiantado, autorizado a circular, dialogar e se apresentar como ponte direta entre o governo e a população. Ainda assim, nenhuma estratégia sobreviverá sem algo básico: presença real nas bases. Sem rua, sem escuta e sem vínculo, não há projeto eleitoral que se sustente.
Outros nomes lembrados, como Cleusa Lara e Sapão, carregam um desafio ainda maior: a confiança. O eleitor mudou. Hoje, exige coerência, proximidade e constância. Promessas já não bastam. A política de gabinete, distante da vida real, perdeu valor.
Esse distanciamento ajuda a explicar por que Betim vota cada vez mais em candidatos de fora. A expressiva votação do deputado federal Nikolas Ferreira na cidade, com mais de 42 mil votos em 2024, mostra que o eleitor não rejeita a política, mas rejeita quem não dialoga com sua realidade. O espaço abandonado pelas lideranças locais foi ocupado por quem soube se comunicar melhor.

Ainda assim, a necessidade de representantes próprios é inegável. Municípios com voz ativa em Belo Horizonte e Brasília acessam mais recursos, destravam projetos e defendem interesses com mais eficiência. Ter ao menos um deputado comprometido com Betim não é vaidade política — é estratégia de desenvolvimento.
Se a cidade quiser, de fato, reconstruir sua representatividade, o caminho é claro: menos bastidor e mais bairro; menos discurso e mais compromisso público. Caso contrário, a representatividade política de Betim seguirá apenas como uma ideia nostálgica, lembrada em anos eleitorais e esquecida no dia seguinte às urnas.

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